Pessoal, é com imenso prazer que esse blog foi realocado para o site oficial do samba da vela: www.sambadavela.com.br, na categoria amor ao samba. Obrigado pelas visitas. Abraços. André Cunha.
Apresento para vocês Carlos Costa, mais um compositor da Comunidade do Samba da Vela, fique com o áudio da sua linda canção "A Dama", que integrou o 3º caderno de 2005:
A Dama
(Carlos Costa)
Eu quis fazer de você uma dama
Eu quis te dar um lar
Eu fiz te chamarem de dona
Eu quis tirar você da lona
Mais você se esqueceu
Do valor que eu lhe dei
Usou e abusou
Brincou com meu amor
Em uma dama do baralho
Se transformou
Com duas caras na mão
De um sonhador
A Comunidade do Samba da Vela comemora nesta segunda-feira (01/10) o aniversário do compositor Chocolate, baterista do Quinteto em Branco e Preto, que lança também nesta semana, pela Obi Music, seu segundo CD solo, Canta Partido Alto, este último com várias músicas de compositores do Samba da Vela. Estarei comentando mais sobre esse CD no blog, mas por enquanto deixo aqui o áudio de uma das músicas do CD, mas cantado ao vivo no Samba da Vela, “Ciúmes”, em parceria com Maurílio de Oliveira, que integrou o 1º caderno do ano de 2000:
Ciúmes
(Maurílio de Oliveira / Chocolatte)
Mulher, não me leve a mal
O seu baixo astral, me deixa infeliz
Pois tudo que eu quis
Foi fazer feliz esse seu viver
Mas não tem nada não
Com a solidão posso conviver
Vivo sem o seu carinho
Com meu cavaquinho posso me conter
Este mundo está com fome e não tem cura
Mesmo fazendo juras, você não quis aceitar
Eu jurei pra você toda fidelidade
Mas foi maldade você não acreditar
Nesses tempos de violência que estamos vivendo, o mundo merece mensagens em forma de música, como as do Chapinha, compositor e um dos fundadores da Comunidade do Samba da Vela, uma figura ilustre e que não mede esforços para contribuir de forma relevante com as comunidades carentes e a nossa cultura, fiquem então com duas músicas para reflexão, “Desavenças Banais”, que integrou o 1º caderno de 2005, e “Até Quando”, que integrou o 1º caderno de 2007, esta última, uma homenagem ao menino João Hélio Fernandes Vieites, de apenas seis anos, que foi assassinado brutalmente na noite do dia 07/02/07, arrastado por mais de sete quilômetros, depois que o carro em que ele estava foi roubado em Oswaldo Cruz:
Desavenças Banais
(Chapinha)
Apesar das diferenças sociais
Por que tanta violência
Para cultivar o amor
Vamos semear a paz
Desse jeito não tem jeito nada feito
Se o próprio filho não respeita o pai
Por incrível que pareça
Virou ponta cabeça
Desavenças banais
Muitas vezes cheguei a temer
Não haver mais solução
Ninguém pode fazer justiça
Com as próprias mãos
Nem tampouco perder
A fé no criador
Que nos ensina a amar
A dividir o pão
A não guardar rancor
Dentro do coração
Ajudar um irmão, não é nenhum favor
Cheguei à conclusão
Que só depende de nós
Basta à gente lutar
Unidos cantarmos em uma só voz
Até Quando?
(Chapinha)
Até quando?
A gente vai suportar tanta violência
Nossas autoridades não têm competência
Pra resolver os problemas da sociedade
Até quando?
Toda essa impunidade vai continuar
O glamour da maldade não pode imperar
Ir além
O mal não pode estar acima do bem
Até quando? Ô, ô, ô
Teremos que conviver com tal situação
O homem perdeu totalmente o amor
Pelo próprio irmão
Só nos resta pedir ao senhor
Que proteja João
Hoje a Comunidade do Samba da Vela comemora os 55 anos do compositor Mano Heitor (na foto - em pé - à direita do vídeo), também foram comemorados nessa semana os 77 anos do compositor Seu Afonso, no dia 24/09, e os 63 anos do Seu Juca, no dia 25/09, todos integrantes dos Guardiões da Vela, grupo que formam a Velha Guarda da Comunidade do Samba da Vela.
Eterna Canção de Amor
(Mano Heitor / Magnu Sousá)
OH! Minha amada
Que bom me esperou, me encontrou
Agora estou feliz
A eternidade enfim nos escolheu
Agora sim
A nossa missão é infinita
O amor venceu mais uma vez
Demos bons frutos na terra
Mimos de uma flor
Devaneio poeta, emoção de um cantor
Pra nós nossos braços abertos
Tal qual redentor
E o sorriso sereno a vontade
Amante do criador
Cantamos para sempre juntos
Essa canção de amor
Foi com grande prazer e alegria que a Comunidade do Samba da Vela, recebeu nessa segunda-feira (24/09), a presença do grande mestre e professor de samba Osvaldinho da Cuíca, que nos presenteou com uma linda composição em homenagem a comunidade, que estarei postando posteriormente aqui, mas hoje deixo a letra e o áudio do lindo samba-enredo que foi defendido por ele esse ano na escola de samba Vai-Vai, mas que infelizmente foi desclassificado na fase final:
Vai-Vai 2008
Acorda Brasil (Osvaldinho da Cuíca / Serginho / Namur)
Nosso ar...
Nosso grito de alerta
O Bexiga desperta (A cantar)
Acorda Brasil
É chegada a hora de mudar
Divina luz...
Dos deuses da mitologia
Clareia...
Me conduz a exaltar
Um anjo que desceu lá na favela
E hoje traz a passarela
Um lindo sonho a realizar
Viver...
É amar a esperança
Lutar
E deixar como herança
Um mundo melhor mais feliz
Educando as crianças... do nosso país
Bate coração
Bate feliz quando “ti vê”
É um presente carinhoso
Do saudoso poeta pra você
Quero a paz...
Que a brisa beija e embalança
Eu quero é mais
Respeito com nossas crianças
Numa sinfonia triunfal
Ver o bem vencer o mal
Vai-Vai feliz é carnaval
É com grande pesar que a Comunidade do Samba da Vela lamenta o falecimento, neste último domingo (23/09), de Luverci Ernesto (Luverci Ernesto Waetge), um dos grandes compositores da nossa música brasileira, autor de sambas gravados por Almir Guinéto, Beth Carvalho, Alcione, Zeca Pagodinho, Mussum, Quinteto em Branco e Preto, e muitos outros. Fique aqui com o áudio de alguns sambas de Luverci, como nossa homenagem, cantado nessa segunda-feira no Samba da Vela: “É, pois é” (Luiz Carlos / Almir Guinéto / Luverci Ernesto); Meu sangue é Brasil (Almir Guinéto /Luverci Ernesto), Mãe África (Murilão / Luverci Ernesto) e À luta, Vai-Vai (Almir Guinéto /Luverci Ernesto).
Como já comentado aqui no blog, a Natura é o primeiro e único patrocinador da Comunidade do Samba da Vela, desde a sua fundação, e no primeiro mês de patrocínio foi presenteado com um lindo samba composto por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, ouça aqui.
Razão de ser (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
A razão de criar
Promover “Estar Bem”
Promover “Bem Estar”
Consigo ou com outro alguém
A razão de criar
“Bem Estar” promover
Promover “Estar Bem”
Bem está
Relação harmonia, agradável prazer
Corpo alma e poesia
“Estar Bem” pra você
Relação sintonia
Pra poder conhecer
“Estar Bem” todo dia com você
A razão de criar, receber, emitir,
Esbanjar simpatia
Ou quem sabe um lugar
Onde nasce a poesia
Temos um jeito de ser natural
Um conceito que move a “Antena e Raiz”
A razão para ser feliz
A razão para ser feliz
Ouça a primeira música do 2º caderno de 2007, "Atire a Primeira Pedra", dos Guardiões da Vela, Seu AFonso e Seu Juca, da Comunidade do Samba da Vela.
Atire a Primeira Pedra
(Afonso e Sr. Juca)
Dizem que homem não chora
Quem fala não tem razão
Homem também tem alma
Sentimento e coração
Atire a primeira pedra
Quem nunca errou na vida
Quem nunca chorou
A dor de uma despedida
Foi lançado nessa semana o DVD Ginga no Asfalto do sambista Germano Mathias, uma verdadeira lição de vida e amor ao samba. Nele temos o prazer de ver o acompanhamento do grupo Quinteto em Branco e Preto, que incluem os fundadores do Samba da Vela, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira. Germano Mathias pode ser considerado um dos grandes nomes da cena paulistana do século XX. Foi um dos maiores vendedores de discos nas décadas de 50 e 60, quando lançou o samba sincopado. Neste documentário, Germano, além de contar fatos interessantes de sua carreira e de sua vida, dá uma verdadeira aula de interpretação, acompanhado de músicos excepcionais:
Germano Mathias – Voz
Guilherme Vergueiro – Piano
Raul de Souza - Trombone
Luizinho 7 Cordas – Violão de 7 cordas
Alex Buck – Bateria
Everson Pessoa – Violão
Maurílio de Oliveira – Cavaquinho
Magnu Sousá – Pandeiro
Yvson Casca – Tamborim
Vitor Pessoa – Surdo
Osvaldinho da Cuíca – Cuíca e Surdo
Odair Menezes – Cavaquinho
Marcelo Barro – Pandeiro e Surdo
Juninho – Tantan
Koke – Violão 7 Cordas
Bocato – Trombone
O Samba é paulista, mineiro, carioca, gaúcho, o samba é brasileiro!
Hoje festejamos o aniversário de William Fialho, compositor e integrante da roda de samba da Comunidade do Samba da Vela, que também toca pandeiro na banda do Almir Guinéto. Como presente do Amor ao Samba, disponibilizo aqui uma composição dele em parceria com Francis Grabriel e Nino Miau, chamada Coração em Salgueiro, está que estará presente no primeiro CD do seu grupo, Nossa Chama, com a participação especial do grande Almir Guinéto, este que inspirou os três garotos a compor essa música. Fialho é o que está na foto com a camiseta azul do Brasil.
Música: Coração em Salgueiro
Compositores: Francis Gabriel / William Fialho / Nino Miau
Lá no morro de Salgueiro
Eu nasci me batizei
Tantos carnavais passei
Sorri, chorei
Por este grande amor
Vermelho e branco
Minha escola, academia
Irradia inspiração
Na avenida a mais querida
É minha paixão
Salgueiro, Salgueiro
Pandeiro, viola
Cabrocha, surdos, tamborins
Salgueiro, Salgueiro
Nação Quilombola
Favela, escola, terreiro
Tenho o coração em Salgueiro
Tenho o coração em Salgueiro
Foi lançado, nesta última segunda-feira - 17/09, o 2º caderno de 2007 da Comunidade do Samba da Vela, o primeiro pela Natura, o novo e primeiro patrocinador desse movimento tão importante da nossa cultura popular brasileira, desde sua fundação, ou seja, depois de sete anos de existência.
Seguem as músicas e os respectivos compositores integrantes desse caderno:
01- Acendeu a Vela (Paquera / Edvaldo Galdino
02- Atire a primeira pedra (Afonso / Sr. Juca)
03- Saudade ingrata (Mário Leite)
04- É forte a energia desse povo (Nelson Papa)
05- Dono do samba (Maurílio de Oliveira / Magnu Sousá)
06- Dita e seu filho (Paquera / Nino Miau)
07- Na beira da esquina (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
08- Coisa comum (Chapinha)
09- Plantação (Petróleo / Marcos Morais / Cida)
10- Ordem natural (Samuel H. Queiroz / Marquinho Dikuã)
11- O clarear da aurora (Tia Dita)
12- Moda brasileira (Wagner Santos)
13- Eu hoje vou sambar (Gilberto Alves / Zé Rosa / Geraldinho)
14- Comunidade Chora (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Edvaldo Galdino)
Alcione grava pelo terceiro ano consecutivo músicas de Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, compositores e fundadores da Comunidade do Samba da Vela, todas em parceria com o mestre Nei Lopes:
Em 2005 - Primo do Jazz (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes) no CD “Faz uma loucura por mim”;
Em 2006 - Xequeré (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes) no CD “Uma nova paixão”;
Em 2007 - Laguidibá (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes) no CD “De tudo que eu gosto”.
Ouça aqui essas três músicas cantadas pela primeira vez na Comunidade:
Primo do Jazz (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes)
Meu samba tem um nhenhenhen
Que pouca gente já sacou
Meu samba faz pandant com jazz
Do jeito que nunca o negão negou
Swing é ginga,
Soul é mandinga
Assim como banzo é blues
Meu samba é isso,
Afro mestiço.
Preto de olhos azuis
Lelê...Balança as cadeiras,
Vai, vai, vai, sacode a poeira
Meu samba sai não cai, não cai
Comendo pelas beiradas
quem pensa que ele morreu,
Não sabe de nada
Meu samba é batucajé,
Um híbrido banto nagô,
Com a raiz em New Orleans
É tudo que a gente afrolatinou
O samba pinta três vezes trinta
E sempre com o mesmo gás
Não tem estresse
Não envelhece
O samba é primo do jazz
Xequeré (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes)
E lá vai ela
Chacoalhando o Xequeré
E lá vai ela
Chacoalhando o xequeré
Veio de lá da Bahia
Capital do canjerê
Mas não sei, afinal, qual a dela
Se é cravo o canela
Ou é mona de ekê
Não sei se ela é pedra noventa
Ou se bota pimenta
No acarajé
Eu só sei é que nego se espalha
Quando ela chacoalha
Aquele xequeré
E lá vai ela...
Trouxe de Água de Meninos um bonito caxixí
Bem trançado, bonito, enfeitado
Todo preparado pra me sacudir
Não sei se ela é de Itaparica,
De Maragogipe ou lá de Nazaré
Eu só sei é que eu viro criança
Quando ela balança
Aquele xequeré
E lá vai ela...
Chegou no nosso terreiro
Gargalhando na ganzá
Mas na hora de abrir os trabalhos
Pegou meu chocalho e não quis mais largar
Sacode, remexe, balança não para, não cansa
E não sai do meu pé
Mas o ponto melhor do pagode
É quando ela sacode
Aquele xequeré
Ela vai ela...
Laguidibá (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes)
Quem não é de Obalibô (Yô Yô)
Não usa laguidibá (Yá Yá)
Tira o colar do pescoço, seu moço
Que é pra não se machucar
Laguidibá não é simples ornamento
É colar de fundamento
Você tem que respeitar
Então seu moço
Sai desse angu de caroço
Tira o colar do pescoço
Pra papai não se zangar
Laguidibá adereço muito certo
É coisa de santo velho do antigo Daomé
Quem é de gege, pega esse colar e beije
Quem não é que se rasteje, se quiser ficar de pé
...
Nasceu, nesta última segunda-feira, dia 10 de setembro, a primeira Orquestra de Samba e Choro de Santo Amaro, sob a batuta de Maurílio de Oliveira, integrante do Quinteto em Branco e Preto e um dos fundadores da Comunidade do Samba da Vela, acompanhado por jovens músicos da região. A orquestra começou com seis cavaquinhos, dois violões e um pandeiro, mas promete crescer nos próximos encontros com instrumentos de sopros, piano e muito mais. O primeiro choro ensaiado foi Cochichando (Pixinguinha), depois Delicado (Waldir Azevedo) e finalizando com Vê se Gostas (Waldir Azevedo). Os encontros serão realizados as segundas na Casa de Cultural de Santo Amaro, antes do início do Samba da Vela. Venham fazer parte dessa nova família, tocando ou prestigiando!
Onório era um cara que sabia tudo de samba, onde qualquer palavra questionada relacionada ao samba era explicada por Onório. O que é um tamborim? E lá vinha Onório: “Ah! Tamborim é um instrumento de percussão reinventado por Bide (Alcebíades Barcelos) no final dos anos 20 e inserido no samba, onde ele alterou o formato quadrado original do instrumento para arredondado e antes com o nome de tamboril para tamborim”. O que é uma Tônica? E Onório respondia: “Tônica é a nota da qual a escala tira seu nome. É obrigatoriamente a nota mais grave”.
Então, na época do Mutirão do Samba (movimento de samba dos anos 80 em SP), onde também existia um caderno como o do Samba da Vela, resolveram homenageá-lo com um informativo denominado “Disse Onório”, explicando as várias palavras e termos relacionados ao samba, o que era um partido alto, o que era um samba de terreiro, o que era uma tríade, etc. Daí surgiu à idéia também do samba composto pelo Paquera (Presidente da Comunidade do Samba da Vela, na foto, em pé tocando banjo), que divido aqui com vocês.
Disse Onório (Paquera)
Disse Onório, que a abrideira abre o pagode
Quem não samba não sacode
Não alcança o auge
E batucada é baile popular
Onde o cavaquinho solta a harmonia
E a alegria contagia ao som bem ritmado de um tamborim
Yoyô Yayá vem pra roda e sambam a noite inteira
Ao som dos tríades daquela viola
Que toca o samba feito oração (e não é mole meu irmão)
E eu na roda de samba passo de oratório
E canto o samba aquele que eu adoro
Seguindo o explicativo que me Disse Onório
Não é a toa que Onório hoje é o nosso baluarte
E na roda de samba ele é Aurélio Buarque de Holanda
Ele conhece o significado desse repertório
Se querem saber um pouco mais de samba
Preste atenção no que Disse Onório
Curta o samba Raiz da Raiz, apresentado pelos compositores Toinho, Bebeto, Cacá Barbosa e Augusto César, em noite de Vela Rosa. Na foto, em destaque, Toinho.
Raiz da Raiz (Toinho/Bebeto/Cacá Barbosa/Augusto César)
Raiz da raiz
Minha fortaleza
Sustenta meu chão com toda firmeza
Pura sedução
Ternura e beleza
Na hora da dor espanta a tristeza
É meu samba que vem
Pra me confortar
Me leva a sorrir
Me faz delirar
Ele espanta o algoz
Me leva a sonhar
Me faz reluzir
Cantar
Enquanto os sambas são escolhidos para compor o novo caderno do Samba da Vela, o que acontecerá daqui duas semanas, curta também os sambas Vó Catarina e Vila Guarani, apresentados pelos compositores Leandrinho e Docão, em noite de Vela Rosa. Na foto, em pé, Docão à esquerda e Leandrinho à direita.
Vila Guarani (Leandrinho e Docão)
Bem dito seja quem nasceu na Vila Guarani
Eu que sou de lá e nunca pensei em sair
Na Guarani ninguém fica de bobeira
É lá que o samba rola de primeira
Basta à lua sair
Poesia se faz tão presente
Poetas e compositores
Num partido ou num samba dolente
É nesse lugar que eu vivo
Pra essa gente iluminada
Esse lugar é de samba
Por isso eu não troco por nada
Vó Catarina (Leandrinho e Docão)
Vó Catarina, pra pode lenhar
Sobe morro, desce morro, pra poder lenhar (Bis)
Vó Catarina, venho de Angola
Quando lembra ela chora a sua meninice
Ele tem disso, do branco dominador
Sua aldeia, sua gente, a saudade que ficou
Chora Vovó, pode chorar
Chora Vovó, pode chorar
Chora pra essa dor amenizar (Bis)
Ora bate na palma da mão
Ora pisa na ponta do pé
A fumaça do cachimbo cheiro arruda e guiné
Hoje, 31/08, é o aniversário do grande compositor e músico Magnu Sousá, integrante do grupo Quinteto em Branco e Preto e um dos fundadores da Comunidade do Samba da Vela. Em breve uma grande entrevista com ele, aguardem!
Magnu, muito sucesso, saúde e alegria!
Na manhã do dia 17 de janeiro de 2007, a música brasileira perdeu um dos maiores ícones do samba de todos os tempos, o partideiro número 1 dos morros cariocas, estou falando de José “Bezerra da Silva”, nascido em 09 de março de 1938, em Recife (PE), aonde veio para o Rio de Janeiro aos 15 anos, fugindo da fome e apenas com a roupa do corpo, viajando através de um navio que carregava açúcar. Passando a trabalhar na construção civil como pintor de paredes e tinha como endereço a obra no centro, onde exercia a sua profissão. Foi nessa época, lá pelos idos de 1949, que se enamorou de uma "dona" e foi morar com ela no morro do Cantagalo (zona sul do Rio). Abaixo uma matéria antiga que extrai do almanaque da folha e alterei algumas palavras para o passado, já que se trata de uma matéria de quando ele ainda estava vivo, mas vale à pena dividir com vocês e refletirem como não é fácil a vida de um sambista, e principalmente a sua valorização, deixo aqui os créditos para o jornalista Renato Roschel, e como não poderia ser diferente nesse dia, a Comunidade do Samba da Vela dedicou a vela para esse grande sambista, além de um tributo maravilhoso, com vários sambas de sua obra, conforme o áudio de quase 30 minutos que disponibilizo aqui para vocês, com um lindo comentário do Magnu Sousá no final, é só clicar em play e relembrar.
Matéria do Almanaque Música da Folha:
Iniciado na música pelo coco de Jackson do Pandeiro começou, em 1950, sua carreira como ritimista na Rádio Clube, tocava tamborim, surdo e instrumentos de percussão em geral. Suas primeiras composições, "O Preguiçoso" e "Meu Veneno", foram gravadas por Jackson. Seu primeiro disco, um compacto, foi gravado, em 1969, pela Copacabana. Bezerra da Silva estudou violão clássico por oito anos e passou outros oito anos tocando na orquestra da TV Globo. Foi um dos poucos partideiros da antiga que sabia ler música.
Como ele próprio explicava, sua ligação com o mundo musical se deu por causa do "medo da fome". Dizia também que a única saída que tinha era "lutar por dias melhores", pois "tinha dias que trabalhava e não comia". Não se cansava de afirmar que saiu do ramo da construção civil porque achava que algum dia iria "virar uma escada, um tijolo, um saco de cimento".
Cantor e compositor de verve ácida, Bezerra da Silva atirava contra as injustiças sociais. Uma boa demonstração disso foi à faixa "Partideiro Sem Nó na Garganta" do disco "Presidente Caô Caô", na qual cantava:
"Dizem que sou malandro, cantor de bandido e até revoltado, porque canto a realidade de um povo faminto e marginalizado"
...ou então a faixa "Vítima da Sociedade" de seu disco "Malandro Rife", na qual afirmava:
"Se vocês estão a fim de prender o ladrão, podem voltar pelo mesmo caminho, o ladrão está escondido lá embaixo, atrás da gravata e do colarinho".
Suas músicas foram quase sempre de outros compositores ou então de parcerias que ele cultivava há muitos anos. Seus parceiros eram poetas dos morros como 1000tinho, Barbeirinho do Jacaré, Baianinho, Em Cima da Hora, Embratel do Pandeiro, Trambique, Zé Dedão, Popular P., Pedro Butina, Simão PQD, Wilsinho Saravá, Rubens da Mangueira, Pinga, Dunga da Coroa, Jorge Laureano, Adelzo Nilto, Edson Show e uma imensa lista de outros ilustres desconhecidos que Bezerra fazia questão de divulgar em seus discos.
Nas letras dos sambas desses compositores se expressam os conflitos sociais de uma população marginalizada. Tudo através de uma ótica bem humorada, mas também áspera. São letras com palavras afiadas, de gente que tem uma visão sociológica amadora, porém lutadora e inconformada.
Antigamente, Bezerra não gostava que o chamassem de pagodeiro. Dizia que "quando a música é feita por pobre, analfabeto ou crioulo, eles dizem que é pagode. Eu não aceito isso!".
Quando era questionado a respeito do novo pessoal do pagode, afirmava que "o Sol nasceu pra todos,
Sou suspeito para comentar, pois sou fã desse sambista e instrumentista, estou falando do cavaquinho do grupo Quinteto em Branco e Preto, Maurílio de Oliveira, no qual admiro muito a sua qualidade e principalmente o seu estilo musical. Músico, arranjador, compositor e cantor. Teve breve passagem estudando cavaquinho e harmonia na Universidade Livre de Música, suas composições já foram gravadas por nomes como Beth Carvalho, Alcione, Luiz Carlos da Vila e Nei Lopes, o qual teve diversas parcerias, além de Everson Pessoa, Almir Guinéto, Zé Luiz do Império, Wilson das Neves, Ivison Pessoa, entre outros. É idealizador e fundador da Comunidade Samba da Vela, juntamente com seu irmão Magnu Sousá, também integrante do Quinteto, Chapinha e Paquera. Foi campeão do primeiro festival de samba de quadra do estado de São Paulo, criado e dirigido pelo músico e compositor Oswaldinho da Cuíca. É também diretor da ACCSA (Associação Cultural Comunidade Santo Amaro). Como arranjador, trabalhou no CD de estréia da Comunidade Samba da Vela, no primeiro CD do sambista Marcelo Teroca (Araraquara), Graça Braga e recentemente no CD do Jair Rodrigues, que será lançado ainda nesse semestre. Registro aqui a minha admiração, homenageando-o com uma foto de sua filha no cavaquinho. E o clima fica assim quando ele chega para apresentar suas composições (tocar o áudio – play).
Na beira da esquina
Compositores: Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira
Menina felina, só pode ser sina
Faz mula de toca lá na Conchinchina
Esquece que a vida não é só de brisa
Já deve tá louca só de cangibrina
E ainda... vive na beira da esquina
E ainda... vive na beira da esquina
Passou na favela deixou um barato
Passou na tendinha bebeu de montão
Chegou no barraco e como de costume
Jogou a paranga num canto de chão
Na bola de meia ela vive sambando
Sorrindo e cantando no maior astral
Foi gente descente, ajudou muita gente
Além de ter tudo era inteligente
Mas vive num mundo que é só marginal
E ainda... vive na beira da esquina
E ainda... vive na beira da esquina
versos de improviso...
Aqui relembro a todos a noite do dia 02/07/07 no Samba da Vela, dia em que a Comunidade teve o prazer de receber um dos maiores puxadores de samba-enredo da história, Dominguinhos do Estácio, esse demonstrou ser um verdadeiro sambista, observou todas as apresentações com os olhos do coração e encantou a todos com o seu cantar, como diz a música do Fundo de Quintal “Seja sambista também”, agradecemos a você Dominguinhos por ser sambista também! Ali conhecemos o seu lado compositor, com seus lindos sambas e melodias, sem dúvida um exemplo a ser seguido, não só como sambista, mas também como ser humano, emocionou a todos nesse dia com a sua simplicidade. Aqui vai um samba inédito dele:
Se for falar da favela se liga
Compositor: Dominguinhos do Estácio
Se for falar da favela se liga
Foi lá que começou a minha vida
Entre becos e vielas
Eu olhava para o mundo
Mas o mundo não me via
Desespero na panela
Fala negra na janela
Era só o que existia
Foi driblando tiroteio
Que eu fiquei ali no meio
Consegui sobreviver
Mas essa realidade
Essa gente da cidade
Fecha os olhos não quer ver
Mas a minha mocidade
Foi dureza de verdade
Foi suor para ter um pão
Tive amigos, que saudade
E por outras faculdades
Foram viver de ilusão
Hoje vivo sem receio
Sou sambista, estou no meio
Canto samba por aí
Mas a minha felicidade
É ver a Comunidade prosperar e progredir
Tivemos na última segunda-feira uma noite de vela rosa na Comunidade do Samba da Vela, muitos sambas novos e inéditos tomaram conta da noite, foi um prazer ter meu amigo Davi presente, de férias da Itália, pais onde joga futsal. A atração principal foi o lançamento do livro “Donde Miras - Dois poetas e um caminho”, editora Bilíngüe, dos autores Serginho Poeta e Binho, o primeiro é freqüentador assíduo da Comunidade, aliás, foi o local onde recitou a sua primeira poesia e orgulha-se disso. Dentre os sambas apresentados, gostaria de destacar o lindo samba “O clarear da aurora” apresentado pela Tia Dita, segundo apresentado pela compositora na Comunidade, o primeiro foi “O Bloco do Pé Inchado”, que levanta o público em todas as apresentações, e o samba “O desabrochar da flor” do compositor Marcos Morais, em minha opinião esse foi o melhor da noite. Na semana que vem estarei disponibilizando o áudio dos dois sambas e algumas poesias do Serginho Poeta. “Que a divina luz ilumine todas as criações”.
O clarear da aurora
Compositora: Tia Dita
O dia está amanhecendo
E já raiou a aurora
Ouça o relógio anunciando o amor
Que é hora de ir embora
O tempo não passa devagar
Sinto deixar todo esse aconchego
Mas eu tenho que trabalhar
Chegou a hora de dizer adeus
Esse relógio
Que sempre me manda embora
É o mesmo que marca as horas
Pra eu voltar para os braços seus
O desabrochar da flor
Compositor: Marcos Morais
O desabrochar da flor
É igual ao seu sorriso
Pelo amor passo momentos de dor
Por ela o homem perde o juízo
Tem o dom de dar a luz
E de levar pra a escuridão
Mulher o seu jeito seduz
Por ela o homem perde a razão
Como diz Ruy Castro: “A palavra cozinha, no mundo do samba, simboliza o ritmo, a batida, percussão e pulsação. A cozinha é o coração do samba. Mas a cozinha do samba é também um verdadeiro capítulo culinário, um conjunto de receitas e pratos típicos das festas e rodas de bamba, um emblema da nossa querida baixa gastronomia”. E na Comunidade do Samba da Vela não poderia ser diferente, toda segunda-feira, quando a vela apaga e é cantado o último samba, todos são presenteados com a famosa sopa preparada pelo chef Oliveira (José de Oliveira Filho), cozinheiro da comunidade, que é o homenageado e entrevistado dessa semana pelo Amor ao Samba:
Amor ao samba – Oliveira, fale um pouco de você e da sua história na Comunidade.
Oliveira – eu sou um dos fundadores do Samba da Vela, a minha função aqui é com a culinária, mas eu sou cabeleireiro de profissão, desde o inicio, quando a roda foi formada no Bar Ziriguidum, foi decidido que após o samba, todo público presente tinha direito a degustar um prato preparado por mim.
Amor ao samba – Conte um pouco da sua família e da sua origem.
Oliveira – sou baiano, nascido em Cruz das Almas, vim para São Paulo com dez anos, já estou aqui há mais de trinta anos, já fui casado e atualmente estou solteiro, tenho três filhas lindas: Ana Carolina, Célia Regina e Naiara, além de dois netinhos, já sou até vovô.
Amor ao samba – Qual foi a idéia da sopa na Vela?
Oliveira – no primeiro dia que fizemos a reunião do Samba da Vela, como seria ou como não seria? Eu já trabalhava no Bar Ziriguidum, aí nesse dia, o pessoal presente: Magnu, Maurílio, Paquera, Chapinha e eu também, pediram para eu fazer um mocotó para ser servido após a reunião, mais tarde foi decidido que todo o público também teria direito a refeição.
Amor ao samba – O que significa para você esse movimento?
Oliveira – o samba para mim já está na veia, sempre esteve, eu acho um projeto legal porque dá a oportunidade para outras pessoas estarem sendo reconhecidas e isso eu acho muito bom.
Amor ao samba – Qual o prato mais solicitado? Aquele que todos pedem para ser servido novamente.
Oliveira – inclusive hoje, devido ao aniversário do Samba da Vela, será um dos pratos que o pessoal mais vai aderir, esse que vou fazer hoje, caldo de peixe galo, com camarão e creme de abóbora japonesa, temperado com alecrim, hortelã, manjericão, coentro e cebolinhas verdes, ao leite de coco e azeite de dendê.
Amor ao samba – Qual a homenagem recebida por você que mais marcou aqui na Vela?
Oliveira – para mim é muito importante e gratificante ser homenageado aqui, principalmente por um samba, como o Dú Oliveira e o Chapinha já fizeram para mim, mas isso é fruto plantado com bastante carinho.
Amor ao samba – Qual o samba que mais admira?
Oliveira – como eu fico a maioria do tempo dentro da cozinha, fica até difícil eu estar escutando os sambas, tenho que ficar concentrado na cozinha, mas quando acende a vela, eu estou sempre presente quando o primeiro samba é apresentado, cantando e batendo na palma da mão também.
Amor ao samba – E o compositor que mais admira?
Oliveira – sem sombra de dúvidas, não só por mim, mas pela grande maioria do público, que já passaram a admirar esse compositor, que é muito conhecido, não só no Samba da Vela, mas em todo o pais: o Chapinha, um grande compositor e meu amigão.
Amor ao samba – Qual o seu projeto?
Oliveira – pretendo em breve, até mesmo no final do ano, espero estar terminando meu livro de receitas: “Receitas do Samba da Vela”, do chef Oliveira. Também pretendo montar um restaurante, que será um projeto para ao no que vem.
Amor ao samba – Deixa uma mensagem para o sétimo ano da Comunidade.
Oliveira – que todas as pessoas presentes no aniversário do Samba da Vela tenham a consciência que esse nosso sucesso é devido a eles, por te
Apresento a vocês o grande sambista, compositor e músico Nino Miau (Claudemir Eurides de Melo), que completará 25 anos de carreira em 2008, integrante da roda de samba do Samba da Vela desde 2003 (cavaquinho) e um dos fundadores da Comunidade Pagode do Cafofo, zona leste de São Paulo. Sempre discreto e educado, sabe aparecer e se colocar na hora certa em uma roda de samba, coisa rara de se ver hoje em dia. O compositor que mais admiro nesse movimento, quando apresenta um samba novo, facilmente cai nas graças do público presente, não é à toa que nunca deixou de colocar um samba seu no caderno desde que apareceu na Vela. Além de tocar cavaquinho, seu apito passou a ser fundamental em alguns sambas da comunidade, mas não pensem que é um apito de verdade, trata-se de uma imitação feita com a boca, isso mesmo, é só não prestar atenção nele e ouvimos um verdadeiro apito de avenida. Aí vai a minha primeira entrevista com um integrante da roda de samba da Comunidade do Samba da Vela:
Amor ao samba – Como surgiu o apelido Nino Miau?
Nino Miau – Nino ganhei de minha mãe assim que nasci e Miau dos amigos desde minha infância.
Amor ao samba – Você tem filhos? É casado?
Nino Miau – Sou solteiro e não tenho filhos, mas uma família maravilhosa que se resume em: minha irmã Nalva, cunhado Geraldo, sobrinhos Bruno e Camila, e a dona do meu mundo: minha mãe Dona Maria do Carmo.
Amor ao samba – Fale um pouco da sua trajetória na música e na vida.
Nino Miau – Nasci no lado leste (Vila Matilde), de família pobre como todos nós da periferia, desde menino me apaixonei por futebol e a música já estava também no meu sangue, meu pai tocava cavaquinho, acordeom e pandeiro. Aos 14 comecei a tocar na noite, tive um paralelo com o futebol chegando até jogar em alguns clubes (Ponte Preta, Palmeiras e Guarú), mas a música cantou mais alto.
Amor ao samba – Desde quando você está nessa carreira de músico?
Nino Miau – Toco na noite desde 1984, comecei com 14 anos.
Amor ao samba – Quais artistas você já acompanhou como músico?
Nino Miau – Ivone Lara, Clementina de Jesus, Monarco, Almir Guinéto, Capri, Argemiro da Portela, Dicró, Oswaldinho da Cuíca e tantos outros.
Amor ao samba – Quais os seus projetos?
Nino Miau – Quero fazer uma escola de música pra crianças que não tem oportunidade de estudar e muito mais.
Amor ao samba – Qual o interprete que mais admira?
Nino Miau – Paulinho da Viola e Ivone Lara.
Amor ao samba – Qual o compositor que mais admira?
Nino Miau – Muitos, mas curto Cartola, Ivone Lara, Paulinho da Viola e Elton Medeiros.
Amor ao samba – Qual o músico que mais admira?
Nino Miau – Hamilton de Holanda, Zé Menezes, Arlindo Cruz e Luizinho Sete Cordas.
Amor ao samba – O que representa para você a Comunidade Samba da Vela?
Nino Miau – Ali fui recebido com muito carinho por todos, sempre dei minha parcela de contribuição ao samba sem querer nada em troca, apenas o prazer de ver o povo cantar meu samba, portanto é minha casa, é onde eu me sinto pronto pra criar, é meu estado de espírito.
Amor ao samba – Como surgiu a idéia do Pagode do Cafofo?
Nino Miau – Na intenção de ajudar um amigo, o Wagner me convidou pra fazer um samba lá no bar pra chamar gente pro local, junto com outros amigos começamos a fazer um samba sem pretensão de nada, mas como tudo que é bom acontece, o Cafofo tomou essa proporção.
Amor ao samba – Como você vê a mídia mascarando muitos artistas de boa qualidade e valorizando as "modinhas"?
Nino Miau – Acho que todos nós temos que trabalhar, a grande mídia faz o trabalho que ela acha que dá resultado, eu não acredito nisso, sei que o samba é uma arte de inclusão social e talvez todo esse modismo seja reflexo de um país abandonado pelos seus comandantes.
Amor ao samba – Qual o grupo da atualidade que mais admira?
Nino Miau – Meu grupo e sem proteção, é
Na Comunidade do Samba da Vela existem muitos compositores, sambistas, poetas, rotatividade de freqüentadores e uma senhora que tenho uma tremenda admiração, estou falando da Vó Suzana (Suzana Francelina de Camargo Seixas), compositora e um verdadeiro ícone do movimento, sempre observando à nova e velha geração, com muito respeito e alegria. E para minha felicidade, tive a oportunidade de entrevistá-la no dia do sétimo aniversário da Comunidade do Samba da Vela:
Amor ao samba – Vó, qual a sua atividade profissional na atualidade?
Vó Suzana – “Sou aposentada, mas fui obstétrica e sanitarista, minha atividade atual é o samba.”
Amor ao samba – Desde quando freqüenta a Vela?
Vó Suzana – “Quase cinco anos.”
Amor ao samba – Como surgiu a idéia de compor?
Vó Suzana – “Desde criança sempre cantei, participei dos corais da igreja e da escola, meu irmão era músico e sempre cantávamos em casa, aí eu fazia algumas coisas, algumas brincadeiras, mas nunca mostrei pra ninguém, no momento que eu passei a freqüentar a Vela, aí eu comecei a fazer e mostrar para os nossos colegas aqui.”
Amor ao samba – O que significa para a senhora o movimento do Samba da Vela?
Vó Suzana – “Eu acho um movimento cultural muito bom, faz com que a gente tenha contato com muitos jovens que se interessam pela música e que passam a se dedicar a ela, deixando outros procedimentos de lado, o que eu acho muito importante.”
Amor ao samba – Como surge a inspiração para compor?
Vó Suzana – “Olha! A inspiração de compor é uma coisa assim que chega de repente, vem da alma e do coração, então a gente não sabe nem explicar e como dizer."
Amor ao samba – Para a senhora, qual o samba que marca esse movimento?
Vó Suzana – “O samba Irmãos de Fé, composto por Magnu, Maurílio, Chapinha e Paquera (os quatro fundadores), eu acho muito bonito e também Vida, composto por Magnu e Maurílio.”
Amor ao samba – E o samba feito e apresentado pela senhora que sentiu o melhor resultado?
Vó Suzana – “Dos sambas todos que eu fiz o que mais teve repercussão e o que mais apareceu foi uma homenagem que fiz pra Vela, que se chama “Pra vela não se apagar”, inclusive estará no próximo CD do Quinteto em Branco e Preto e está no CD da Comunidade do Samba da Vela, mas o samba que eu fiz e mais gosto, chama-se Saudade.”
Amor ao samba – E o compositor que a senhora mais admira no Samba da Vela?
Vó Suzana – “Aqui, eu gosto muito do Chapinha, até pela alegria do Chapinha, eu acho o Paquera também um compositor excelente, aliás, os quatro meninos são ótimos, o Magnu e o Maurílio...”
Amor ao samba – Qual interprete do samba que a senhora gostaria que gravasse uma música sua?
Vó Suzana – “Têm vários, porque assim, os sambas são diferentes, então tem alguns sambas que eu imagino... Pô, se a Beth Carvalho gravasse esse samba! Em compensação eu tenho um samba, que eu penso assim: se eu tivesse a oportunidade de mostrar para o Dicró! E tem um compositor que vem aqui no Samba da Vela, chamado Toinho, que ele canta esse meu samba “Saudade” de uma forma que até me emociona.”
Amor ao samba – Qual a maior surpresa ou emoção que o Samba da Vela já te proporcionou?
Vó Suzana – “Foi quando colocaram o meu primeiro samba, “Pra vela não se apagar”, no caderno. Aquilo me emocionou muito.”
Amor ao samba – Vó, por favor, deixa uma mensagem para os sete anos da Comunidade do Samba da Vela.
Vó Suzana – “Então, a comunidade está já há sete anos, se reunindo, eu cheguei depois, faço parte dos Guardiões da Vela (a velha guarda da comunidade), e a mensagem que eu deixo é que as pessoas procurem continuar com esse movimento, continue com esse trabalho e também trazendo bastante jovens, para que eles participem desse nosso encontro, que é basicamente cultural, nossa bandeira maior é o samba, mas a gente se preo
A Comunidade do Samba da Vela estava em estado de graça na comemoração dos seus 7 anos de existência e muita luta para exaltar o verdadeiro samba. Foi segunda-feira passada (16/07), na Casa de Cultura de Santo Amaro, onde comemoramos juntos e felizes uma verdadeira união de irmãos de fé. Sem a presença, pela primeira vez em sete anos, dos fundadores Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, onde todos sentiram a falta da alegria e musicalidade desses grandes sambistas. Com isso, os fundadores presentes, Chapinha e Paquera, fizeram uma homenagem aos dois. Antes de a vela acender, a pedido do Paquera, as luzes foram apagadas e o próprio iniciou com essas palavras: “- As luzes foram apagadas por um motivo simples e bonito, hoje a gente está fazendo sete anos e nessa roda esta faltando dois fundadores, o Magnu e o Maurilio, estão em viagem representando o Brasil e o Samba da Vela, junto com a Beth Carvalho lá no festival de Montreux, depois irão fazer dois shows em Portugal, e o Magnu antes de ir embora cantou uma música que fez no Samba da Vela, no terceiro ano, remodelou essa música para poder cantar hoje aqui, ele até colocou no site, quem entrou no blog dele viu, e eu resolvi, e peço licença a toda a Comunidade para que ele cante essa música aqui pra vocês, que é os símbolo de toda essa luta, que a gente vem a sete anos plantando, a gente plantou aqui em Santo Amaro e a nossa idéia é valorizar o compositor, claro que a gente não agrada todo mundo, mas a gente faz aqui com muito carinho e muito amor, todos que estão aqui são voluntários, a gente vem aqui toda segunda-feira com o maior prazer do mundo, que sabe que de vez em quando a gente leva para casa uma pérola, na maioria das vezes, não é só às vezes não, que faz mexer com o coração da gente e com a nossa mente também. Vamos la, apaga aí, toca aí Edu!”. E todos em silêncio passaram a ouvir o áudio da música Sete anos de glória, na voz de Magnu Sousá e no violão de Maurilio de Oliveira.
SETE ANOS DE GLÓRIAS
(Magnu Sousá / Adriano Carollo)
Sete anos de glórias
que se fazem presentes
cravados em minha mente
nos lugares onde vou
com saudade relembro
nossos primeiros dias
tamanha euforia
sua luz nos proporcionou
seu passado recente
já trouxe várias conquistas
não só para o sambista, mas também
pra cultura popular
e com pranto contido
me calo ao ver a sua luz
iluminando Santo Amaro
Sete anos vividos
pois a nossa bandeira
hoje é a primeira
porta voz do meu País
que ecoa nos ares
nos diversos lugares
e retira dos lares
tanta gente fiel assim
toda segunda feira é a maior alegria
tamanha euforia e nosso povo
feliz a cantar
e com pranto contido reparo
que valeu a sua luz iluminar meu Santo Amaro
A vela da noite foi dedicada a Dona Dora (mãe do Mário Sérgio – Fundo de Quintal) e para o Paulinho Pires (grande sambista), que faleceram na semana passada. Após a vela ser acesa, foi respeitado um minuto de silêncio, depois a festa começou com muita alegria, homenagens aos compositores e antigos sambas da Comunidade.
Salve a Comunidade do Samba da Vela! Salve o Samba!
É com muito orgulho e satisfação que apresento nesse espaço a Comunidade do Samba da Vela, movimento cultural fundado em 17 de julho de 2000, com o objetivo de apresentar diretamente ao público as obras de compositores desconhecidos da grande mídia, sempre visando o resgate do verdadeiro samba, a vertente principal da nossa música popular brasileira.
A roda de samba deu inicio em 2000, com apenas 5 pessoas, no Bar Ziriguidum e, após um convite do seu Adelino passou a se realizar na Praça Francisco Ferreira Lopes, nº. 434 (altura do nº. 820 da Avenida João Dias), onde fica a Casa de Cultura de Santo Amaro, toda segunda-feira, a partir das 20h30, é acessa um vela e os novos sambas são apresentados pelos próprios compositores, os músicos da roda vão encaixando as melodias e o povo começa a conhecer novas obras e artistas, respeitando sempre a linhagem do samba de terreiro, sambas de primeira e segunda, com mensagens imediatas. Os fundadores: Paquera: José Alfredo Gonçalves de Miranda, Chapinha: José Marilton da Cruz, Magnu Sousá: Magno de Oliveira Souza e Maurílio de Oliveira: Maurílio de Oliveira Souza, os dois últimos, integrantes do Quinteto em Branco e Preto.
A vela é quem estabelece a duração do evento, ou seja, quando a vela apaga o samba termina, ou melhor, a Comunidade chora, porque está na hora de ir embora e esperar mais uma semana para presenciar toda a magia que rola em torno da chama acesa. Como forma de agradecimento, no final é servida uma sopa, preparada e servida com o maior carinho pelo ilustre Oliveira (o chefe da cozinha), para não ficar fora do contexto, a cada semana uma nova receita. Lá também é um reduto de poetas desconhecidos, freqüentadores assíduos do movimento, sempre nos presenteando com novas e lindas poesias. A vela é composta por três fases e cores:
Vela rosa (iniciação): sambas inéditos, o compositor apresenta sua obra diretamente ao público pela primeira vez. Duração: 4 semanas;
Vela azul (confirmação): são reapresentados os sambas da vela rosa, para firmar as composições na memória da Comunidade e utilizada como um termômetro, identificando os sambas mais aceitos pelo público. Duração: 4 semanas;
Vela branca (consagração): são apresentados os sambas que mais se adequaram na linhagem do samba de terreiro e que caíram na graça da Comunidade, esses estarão formando um caderno, contendo os 14 sambas (aproximadamente) escolhidos pelos fundadores do movimento, além de Acendeu a Vela, samba que inicia o evento e, A Comunidade Chora, samba que finaliza. Duração: 3 meses;
Acendeu a Vela
Compositores: Paquera/Edvaldo Galdino
Acendeu a vela
O Samba já vai começar
Ela é quem chama
Que é viva chama pro povo cantar
A fé que não cansa
Mantém a esperança do nosso viver
O Samba da Vela está esperando você
Venha pra cá pra cantar
Venha pra cá para se ver
Uma só voz embalar
Pra nunca mais esquecer
Venha fazer a história
Venha com a gente aprender
O Samba da Vela está esperando você
Acendeu a vela...
A luz do samba reluz
Conduz à inspiração
Seduz, a todos induz
À união de irmãos
Queremos um canto forte
Pra ver o samba vencer
O Samba da Vela está esperando você
A Comunidade Chora
Compositores: Magnu Sousá/Maurílio de Oliveira/Edvaldo Galdino
Quando a vela acender
Eu vou cantar meu cantar até prevalecer
A luz que ilumina o compositor
Que tem a luz nos olhos seus
Eu rezo pra essa chama tão crepuscular
Durar mais um minuto nessa hora
Ah! Por que se não a comunidade chora
Chora, chora
A comunidade chora, a comunidade chora
Quando a vela se apagar e o samba terminar
Saudade não me deixe ir embora
Meu peito vazio implora
Que uma luz me ilumine agora!
Chora, chora
A comunidade chora, a comunidade chora
Chora porque a vela se apagou
Porque o samba terminou
Chora, chora
A comunidade chora
Não deixem de conhecer e prestigiar esse movimento tão importante, que es
(Homenagem ao grande compositor Wagner Santos)
O primeiro compositor que vou apresentar no meu lote é o grande sambista Wagner dos Santos (Wagner Santos), para criar seu nome artístico bastou retirar o “dos”, sua mãe (in memorian) brigou muito com ele por isso, por retirar o elo de ligação do seu nome, mas ele fez questão de não perder a identidade do seu nome, mantendo nome e sobrenome intacto, coisa rara na maioria dos artistas da nossa MPB. Nascido na Zona Leste de São Paulo (Vila União), onde mora até hoje. Sempre gostou de escrever para passar o tempo, mas por incentivo dos amigos passou a levar mais a sério esse seu talento e começou a compor para escolas e grupos de samba, logo foi premiado, em 1991, como vencedor do samba-enredo da escola de samba G.R.C.E.S. Nenê de Vila Matilde, intitulado “Tudo mentira, será que é?”, mas o que mais se orgulha é ter sua composição, parceria com Borrão, vencedora do carnaval de 1996, pela escola G.R.E.S. Vai-Vai, nota 10 em letra e melodia, unanimidade na escola, que levou a escola a campeã desse ano, com o samba-enredo “A Rainha – À noite tudo transforma”, falando de Lílian Gonçalves. Também ganhou outros sambas-enredo nas escolas Pérola Negra e Camisa 12, além de ter sambas gravados pelas vozes de Royce do Cavaco, Carlão Manero, Grupo Sem Compromisso, Grupo Casa Nossa, Grupo Sampa e outros. Diz não ter nenhuma escola de coração, mas não esconde sua simpatia pela Vai-Vai, principalmente pelo seu dinamismo. Para ele o maior compositor que já conheceu foi Neyberto, que com cuidado, o compara a Cartola, diz ainda que se um dia “pintasse” uma oportunidade de divulgar alguém como compositor, divulgaria Neyberto, mas não perde a esperança da música um dia conhecê-lo. Seu sonho é ter sua música gravada e interpretada pelas vozes de Emilio Santiago e Alcione. Lamenta a resistência, das próprias comunidades, em levar a sério e acreditar nos novos compositores, mas vê isso mudando com a criação da Comunidade Samba da Vela, onde é um dos compositores da comunidade. E aqui vai a composição dele que mais admiro:
Título: Menino Balas
Compositores: Wagner Santos e Oswaldinho Babão
Quanto tempo não te vejo
Por onde andará você?
Matar a saudade é o meu maior desejo
Seu jeito inocente, traquino eloqüente
Pegando pingente, meu pingo de gente
Por onde andará você?
Sim faz falta eu sei Menino Balas
Quebrando ondas na Guanabara
Pega o skate, desamarra essa cara o cara
Respeite o velho, esqueça a navalha
Faz falta eu sei a barra da saia
Não cai em tocaia vai se dar mal
O caminho mal andado não dá rendição
A viagem na poeira é pura ilusão
Não seja infeliz, não faça o que eu fiz
Eu fui aprendiz, quem já foi não vai
Aceite um conselho amigo, meu filho, sou seu pai.
Bem-vindos ao Amor ao samba, espaço que estarei dedicando a minha paixão, o SAMBA, onde, com muita satisfação, vou divulgar novos sambas, novos compositores, sambistas desconhecidos pela grande mídia e pelo público em geral, mas que mereciam e merecem um melhor acolhimento e reconhecimento de todos, Dedico essa página ao Quinteto em Branco e Preto, grupo de samba da periferia de São Paulo, que considero o mais importante da nova geração do samba, formado por Everson Pessoa (violão), Ivison Pessoa (repique), Vitor Pessoa (surdo), Maurílio de Oliveira (cavaco) e Magnu Sousá (pandeiro), os dois últimos, fundadores da Comunidade Samba da Vela, movimento mais importante do samba de São Paulo na atualidade. Além de grandes músicos, são pessoas maravilhosas, que não pensam somente no sucesso deles, estão sempre ajudando os grandes compositores e preocupados com as suas Comunidades (Santo Amaro e São Matheus), Com eles, percebi que o samba não é só coisa do passado e que temos músicos, compositores e sambistas preparados para dar continuidade a esse trabalho, além de ter conhecido, através deles, a Comunidade Samba da Vela, que estarei falando um pouco mais nos próximos posts.




